A igreja e a comunicação pessoal


As muitas formas de comunicarmo-nos com nossos semelhantes

A interação entre interlocutores acontece quando estes se alternam e nas suas falas interferem no processo de comunicar-se. Dentre os vários processos de interação frisaremos os processos de comunicação “aparente”; “superficial”; “autoritário” e, “real”.

(1) A comunicação aparente é aquela que parece haver interação entre os interlocutores, mas, na verdade, dizem sem dizer nada. Não acrescenta nenhum tipo de crescimento. O “emissor” usa o “receptor” para extravasar seus traumas e aliviar seu estresse. Falam, mas não se comunicam. Conversam entre si, mas o que falam é pouco significativo para o outro. É importante, pois ajuda a “desabafar”. Existem muitas pessoas que querem apenas “um ouvido” para que possam falar. Não há nenhuma interação, não há crescimento. O ditado popular: “estar com o espírito armado”, é prática desse modo de comunicação. É essa predisposição de bloquear a interação resistindo à proposta de mudança, acabando por agir visando um confronto. Isto é, “impor” (no sentido de “forçar”) o ponto de vista. Observa-se esse tipo de comunicação em alguns processos educacionais, nas conversas de casais, entre pais e filhos. E isso tem sido um grande problema nas famílias evangélicas: enquanto um tenta convencer, repetindo os mesmos argumentos; o outro faz que ouve e continua “na dele”. Podem estar juntos, conversando, mas será uma conversa surda, que, provavelmente, terminará em fracasso e em problemas familiares sérios. A igreja não precisa desse tipo de comunicação entre os seus.

Próximo disso temos: (2) a comunicação cuja interação é superficial, onde, a troca de informação, não expõe muito, a intimidade de cada um. É uma interação limitada, onde a conversa se restringe à superficialidade, a intimidade é apenas “arranhada”; interage-se apenas com, no máximo, à “ponta do iceberg”. Conversa-se animosamente, mas sem nenhuma interação interpessoal. As opiniões se restringem nas variações de assuntos gerais: futebol(?), fofocas, reuniões sociais, festas, bate-papos(?). Servem para manter os vínculos dentro de um grupo ou comunidade. Não se aprofundam, pois não querem se expor. Esse processo acaba por ser frustrante, por não preencher totalmente, por estar desacompanhada de interações mais autênticas, mais profundas. A igreja, também, não precisa de um tipo de comunicação assim, cuja interação é superficial entre os seus.

Um outro processo de comunicação é a interação dentro de um sistema fechado, onde se expressam relações de poder, de dominação. É a (3) comunicação autoritária, onde a troca é desigual, baseado no poder econômico, político, intelectual, emocional ou religioso. É onde quem tem poder procura dominar o outro, impor seus pontos de vista, controlar. A interação autoritária é expressa de 02 formas: (a) explícita ou “descarada”, fácil de identificar. E, a mais perigosa, a (b) implícita, disfarçada de participativa, colaborativa, mas que já está previamente imposta, definida e decidida. É uma comunicação que simula interação, mas acaba por “ditar”, “mandar” e “impor” suas regras e ditames. Há vestígios de autoritarismo quando se fala de liberalismo e participação, mas as ações são autoritárias. O marketing é a forma branda de comunicar e infere ao controle e à manipulação disfarçada de preocupação humanitária. Também, desse tipo de comunicação, a igreja não necessita, onde o autoritarismo implícito ou explícito impera.

Finalmente, temos a (4) comunicação real, é a interação verdadeira, onde os interlocutores estão abertos e querem trocar idéias, experiências. Onde todos saem enriquecidos; onde há edificação. A fala repercute em mim, ajudando-me a pensar e pode até, modificar-me. É nessa comunicação onde há honestidade, crescimento e dinamismo. Na comunicação real há alguns graus, vejamos: (a) Conversa ocasional, interação viva, mas sem uma continuidade. (2) Interação habitual, que é a cotidiana entre amigos, colegas de trabalho, na docência. Nesse caso há interlocutores que se respeitam e querem aprender, onde avançam, ajudam-se e agem. (3) Há a comunicação de pessoas que se interagem profundamente, elas desenvolvem relações afetivas maduras, que crescem em riqueza e abrangência. São bem-resolvidas, evoluídas, abertas e flexíveis.

Esse, sim, finalmente, é o tipo de comunicação que deve, imperiosamente, haver entre os membros de uma comunidade de fé. A igreja precisa que seus membros e não-membros se interajam com mais intensidade nesse tipo de comunicação, a real. Somos da verdade e esse aprofundamento deve permear os relacionamentos do verdadeiro cristão: edificar e ser edificado; construir e ser construído em (e por) seus semelhantes.

Para refletir: Como você observa a forma de comunicação na comunidade de fé onde cultuas a Deus? É aparente, de interação superficial, autoritária ou real?

Pense nisso e faça a diferença, influenciando com a comunicação real com seus irmãos e não-irmãos.

Fonte: Valter Borges (Gospel+)

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